Levantamento Das Sanções A Irão – Efeitos Na Economia Mundial

A revolução Islâmica de 1979 que depôs Shah Mohammad Reza, constitui o marco “agudizador” das relações conturbadas que o Irão mantém com o resto do mundo, cujo epiteto são as sanções económicas impostas antes pelos EUA, expandidas em 1995 mas contando já com a União Europeia e outros países ocidentais, devido à suspeita de que Teerão estava no processo de produção de armas nucleares, violando o Tratado de Não Proliferação que aderiu em 1967.

Desde o início das sanções económicas exercidas por Washington a que se juntou mais tarde a União Europeia e as Nações Unidas, como atrás referido, muitas empresas estrangeiras foram proibidas de fazer negócio com Irão; o país viu-se excluído do mercado mundial, não podendo importar grande parte de produtos essenciais, e, para piorar a situação, também foi proibido de exportar petróleo, que é a sua principal fonte de rendimento. Isto resultou uma enorme queda dos indicadores económicos, o congelamento no estrangeiro de fundos iranianos, a sua moeda nacional, o Rial Iraniano, desvalorizou mais de 30%, como consequência lógica desta degradação da sua economia.

 

Após o acordo assinado entre Irão e os P5+1 (EUA, Reino Unido, França, China, Rússia mais Alemanha), Teerão aceitou, em troca do levantamento das sanções económicas, reduzir drasticamente os seus projectos nucleares, limitando-os a objectivos pacíficos.

A 16 de Janeiro de 2016, após confirmação pela Agencia Internacional de Energia Nuclear que Irão cumpriu a sua parte do acordo, muitas das sanções foram finalmente levantadas, virando uma nova página da economia e da prosperidade não só para Irão, mas também para muitos países da comunidade internacional.

Mas o que significa para a economia mundial? Na verdade, dois efeitos esperam-se, desde logo uma corrida dos países e empresas multinacionais aos fundos iranianos antes congelados e disponíveis e o mais importante ainda que haja ganhos geoestratégicos com a reintegração do Irão na economia mundial.

Para Irão só existem aspectos positivos. Está projectado que a taxa de crescimento do país, agora sem as sanções, poderá atingir cerca de 5%, segundo o Fundo Monetário Internacional.

Teerão irá ter acesso a fundos congelados no estrangeiro que chegam até $30 mil milhões, mas que segundo os EUA, estes fundos cifram-se a volta de $50 mil milhões. Por outro lado, o alívio das sanções económicas à Teerão permitirá o país exportar novamente petróleo, adicionando mais 500,000 barris de petróleo por dia ao mercado já em excesso de oferta. Isto beneficiará a economia Iraniana em aproximadamente $10 mil milhões, mas levará o preço do barril petróleo ao seu valor mais baixo desde 2003. Segundo o “The Guardian”, Teerão está a planear duplicar as exportações de petróleo durante os próximo 6 meses, o que potencialmente irá afectar negativamente o mercado global de petróleo.

A reentrada do Irão no mercado internacional também beneficiará algumas empresas internacionais. Antes das sanções, Itália, por exemplo, era o maior parceiro comercial de Irão na União Europeia, que perfazia cerca de 7,5% do mercado de exportações Italianas. A Alemanha, em 2005, detinha a maior parte do mercado de exportações Iranianas, com $5,67 mil milhões, ou seja, cerca de 14.4% do total de exportações. Com o levantamento das sanções, Irão assinou relevantes contratos comerciais com empresas estrangeiras.

A 25 de Janeiro, Presidente Rouhani, na sua visita a Roma assinou contratos de negócios no valor de até $18.4 mil milhões. Outro contrato entre Irão e Itália foi assinado entre o grupo de serviços petrolíferos Italiano Saipem visando a fabricação de dispositivos para a indústria petrolífera no valor entre 4 e $5 mil milhões. Presidente Rouhani afirmou na sequência deste acordo que “melhorar a economia vai ajudar a combater o extremismo”.

Em contraste do que a Arábia Saudita diz que irá acontecer com o melhoramento da economia Iraniana. Irão concluiu, também, negócios com empresas de energia solar Alemãs. Outra empresa a beneficiar do levantamento das sanções é a Airbus, que iniciou negociações com Teerão para a compra de mais de 140 aviões.

A multinacional alemã Siemens, também assinou um contrato de $1.6 mil milhões para o melhoramento das redes de transporte Iranianas. Algumas empresas inglesas do sector financeiro também procuram iniciar negociações com Irão. O levantamento das sanções levou empresas Portuguesas a pedir informação sobre oportunidades de negócio no Irão.

Na verdade, como se pode concluir destas movimentações financeiras, o acordo assinado a 16 de Janeiro marca um ponto de viragem na história do povo Iraniano, que sofria face a uma hiper-inflação e desconexão ao mercado mundial, elevadas taxas de desemprego e baixos níveis de crescimento económico.
Contudo, Teerão não será o único beneficiado, pois as empresas multinacionais europeias começam, não só, a posicionar-se, como a realizar promissores negócios, ajudadas pela proximidade geográfica. A existência de fundos bem providos constitui por si só uma disponibilidade financeira impar que uma região tão conturbada pode também vir a beneficiar já que o melhoramento do desempenho da economia Iraniana pode produzir o chamado efeito spill over e contribuir para a mitigação do extremismo islâmico, tal como vaticinado pelo Presidente Rouhani.

 

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